01/10/2010

O último debate e meu último programa

Confesso que, no geral, achei chato. O da Record foi melhor, mais solto, os candidatos interagiram e se degladiaram de forma mais solta, teve mais drama, peripécia. O de ontem foi burocrático. Seu formato quis privilegiar o lado "programático", temas sobre os quais os candidatos teriam que obrigatoriamente fazer perguntas uns aos outros e a política --o contraste que eles próprios gostariam de traçar entre si-- ficou prejudicada. Junto com ela o espetáculo que inevitavelmente tem algum parentesco longínquo com os gladiadores romanos.

Na verdade, as diferenças programáticas entre Marina, Serra e Dilma em relação a maioria daqueles pontos muito concretos "saúde", " trabalho", "previdência" etc... não são muito marcantes e tudo ficou mais no plano do "mas você não fez enquanto eu fiz (ou faria)".

Nesse sentido, de fato, Plínio era o único "diferente" pois deixou claro desde o início que estava lá para promover o PSOL e tentar reeleger seus três deputados. Agressivo e sectário, conforme seu estilo --dessa vez por força da dinâmica não atacou Marina-- tentou mostar-se como um velho "profeta" na tradição que Isaac Deutcher atribuia a Leon Trotsky. Implícita aquela idéia de opor àqueles três reformistas traidores do proletariado o bom e velho banho de sangue de uma revolução pois o "melhorismo" deles não presta. Teria sido mais interessante para os jovens que ele querer iludir com esse discurso, percursor das grandes tragédias do comunismo no século XX, que a discussão pudesse ter prosseguido e lançado luz sobre o que de fato resta daquela utopia sangrenta: a Coreia do Norte, hoje o único país de fato socialista existente no planeta, já que Cuba acaba de assumir a pequena e média empresa capitalista depois de ter permitido há tempos o grande capital estrangeiro --com regras de repatriação de capitais mais liberais que as nossas-- no setor de turismo, em ressorts em cujas praias é negado acesso aos cubanos comuns. Aliás, o faz demitindo 500 mil servidores públicos que terão de dar um jeito de virar pequenos capitalistas ou empregados destes...

Ouvimos dele algumas idiotices mais como a defesa da moratória da dívida externa. Alguém precisa contar ao Plínio que ela não é mais aquela. Está perfeitamente equacionada e o Brasil virou um país credor. Talvez ele quisesse se referir à divida interna, essa, de fato, preocupante, e estivesse propugnando um "calote" gênero Collor. Alguém precisa explicar a essa jurássica criatura que, salvo as fortunas pessoais dos banqueiros --em geral a salvo no exterior-- o dinheiro dos bancos é o  dos milhões de correntistas  investidores que seriam as grandes vítimas, como foram no governo Collor, de um calote.  Os banqueiros nada sofreriam de dramático como nada sofreram naquela ocasião.  Alguém precisa explicar-lhe que acabar com o ICMS levaria à falência estados e municípios ferrando em primeiro lugar o servidor público.

Marina, como em todos os outros debates, com exceção do primeiro da Band, saiu-se bem. Mas, não foi uma superioridade esmagadora, porque Serra também pontuou naquele seu estilo professoral meio enfadonho. Teve um arroubo de agressividade com Marina, quando rompeu com a disciplina que vinha adotando em relação a ela ao reciclar a acusação de Plínio, no primeiro debate, de que ela era meio petista "parecida com Dilma" e tinha "ficado no governo apesar do primeiro mensalão". Como isso foi na tréplica, nossa jaguatirica virou-se para ele para dar o bote --penso que só quem estava no estúdio viu a cena--  mas não pode dar o troco.

Dilma teve um momento revelatório que começou com uma tropeçada cômica num ato falho. Quis dizer que todos os recursos de sua campanha eram de caixa 1 e conseguiu dar a entender o contrário. Diante das gargalhadas vindas da platéia do Serra e da nossa, arremeteu de forma ameaçadora contra as galerias. No mais, conseguiu controlar-se e foi indo aos trancos e barrancos com seu discurso bem decorado e ensaiado.  Acabou sobrevivendo o que para ela é uma vitória  já que nos debates joga pelo empate.

Nessas eleições, a cobertura da Rede Globo foi extremamente importante e merece os maiores elogios. O seu jornalismo foi equilibrado, isento, justo e de boa qualidade. Com seu tempo de TV exíguo, nossa campanha teria sido muito prejudicada não fosse esse espaço igual no Jornal Nacional e nos outros noticiários. Por isso, penso que a Rede Globo merecia ter promovido o melhor debate. Por culpa de todos nós --participei junto com o João Santana e o Gonzales da negociação das regras-- acabou sendo meio chato e não muito esclarecedor em relação aos outros. Afinal, a Globo é a Globo e a melhor prova disso foi a situação meio constrangedora que passaram os quatro ao ficarem uns sete minutos imóveis nos púlpitos a espera do fim da novela das oito que atrasou. Que espetáculo: os quatro postulantes à presidência do Brasil ali petrificados em sua ansiedade esperando o Toni Ramos terminar de desfiar  seu macarrônico sotaque italiano de araque em Passione.



Meu último programa

É fundamental termos segundo turno. Só Marina Silva pode enfrentar Dilma em condições de sucesso no segundo turno. A onde verde está cada vez mais forte e Marina pode chegar lá.

Veja o último programa Sirkis 4333 desta campanha. Peço seu voto para Marina, Gabeira e os candidatos do Partido Verde.

Para mim também. Sirkis 4333 deputado federal.

Espalhe esse vídeo para sua lista de amigos!

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