O Brasil da secular burocracia pombalina, do
corporativismo estreito e da hipocrisia politico cartorial falou pela voz da
maioria esmagadora do tribunal. A voz
solitária de Gilmar Mendes botou o dedo na ferida na forma do juz esperneandi. O direito de,
literalmente, espernear.
Para mim não foi surpresa alguma, nunca foi
uma questão de fé --Deus não joga nesta liga--
mas de lucidez e conhecimento baseado na experiência pregressa. Eu tinha
certeza absoluta que se não tivéssemos uma a uma as assinaturas certificadas,
carimbadas, validadas pela repartição cartórios de zonas eleitorais íamos levar
bomba.
A ministra relatoria fez uma defesa quase
sindicalista da “lisura” de seus cartórios. Gilmar Mendes mostrou
claramente o anacronismo deles na era digital. Prevaleceu a suposta “dura lex sed lex” mas que pode também ser
traduzido, no caso, pelo mote: “aos amigos, tudo, aos inimigos, a Lei”. E o PT já tinha avisado que “abateria o avião de Marina na pista de decolagem”.
Mas não ter entendido que o jogo seria assim e
ter se precavido a tempo e horas foi uma das muitas auto complacências resultantes de
uma mística de auto ilusão.
Para ser direto em bom carioquês: “demos mole”.
Marina é uma extraordinária líder popular,
profundamente dedicada a uma causa da qual compartilhamos e certamente a pessoa
no país que melhor projeta o discurso da sustentabilidade, da ética e da
justiça socioambiental. Possui, no entanto, limitações, como todos nós. As
vezes falha com operadora política comete equívocos de avaliação estratégica e
tática, cultiva um processo decisório ad hoc e caótico e acaba só conseguindo
trabalhar direito com seus incondicionais. Reage mal a críticas e opiniões
fortes discordantes e não estabelece alianças estratégicas com seus pares. Tem certas características dos lideres populistas embora deles se distinga
por uma generosidade e uma pureza d’alma que em geral eles não têm.
Não tenho mais idade nem paciência para fazer
parte de séquitos incondicionais e discordei bastante de diversos movimentos
que foram operados desde 2010. A saída do PV foi precipitada por uma tragédia
de erros de parte a parte. Agora, ironicamente, ficamos a mercê de algum outro
partido, possivelmente ainda pior do que o PV.
Quanto à Rede, precisa ser vista de forma
lúcida. Sua extrema diversidade ideológica faz dela um difícil partido para um
dia governar. Funcionaria melhor como rede propriamente dita –o Brasil precisa
de uma rede para a sustentabilidade, de fato--
mas, nesse particular, querer ser partido atrapalha.
Ficarei com Marina como candidata presidencial
porque ela é a nossa voz para milhões de brasileiros mas não esperem de mim a
renúncia à lucidez e uma adesão mística
incondicional, acrítica.
Minha
tendência ao “sincericidio” é compulsiva e patológica. Nesse sentido não
sou um “bom politico”. Desculpem o mau jeito. Hoje tenho oito horas para
enfrentar um leque de decisões, todas ruins em relação ao que fazer com uma trajetória
limpa de 43 anos de vida política. Mas
vou fazê-lo sem angústia de coração leve e mente aberta.
Não entendi uma coisa, pq vcs deixaram tudo para cima da hora? Não vejo como "perseguição", mas se sabiam dos prazoa e condições, pq não as cumpriram em tempo?
ResponderExcluirGostei muito da análise! Eu acho que a Marina daria uma contribuição muito maior se criasse a #Rede como uma ONG e fizesse oposição além de poder construir algo de fato sem entrar nos entraves políticos. Já está provado que não é o governo que faz acontecer. As notícias políticas são surreais e ninguém aguenta mais acreditar em propostas. Estava na proposta do Haddad aumentar o IPTU em SP??? Eu voto na Marina fora do governo. O brasileiro precisa aprender muitas lições e a #Rede pode ajudar a ensiná-las, mas não estando em Brasília. Não acredito.
ResponderExcluirUm bom texto Sr. Sirkis. Sincero escrito sob a luz da lucidez. Que a verdade seja dita, sempre. Parabéns.
ResponderExcluirBravos, Sirkis. Sinceridade acima de tudo. Se ficarmos na auto-complacência não chegaremos a lugar algum. A situação é incômoda e também sendo sincero não tinha muitas esperanças que a "burocratia" fosse deixar de lado essa chance de torpedear o barco ainda no porto. Como cidadão fico "injuriado" com essa política mequetrefe que aí está, desses "pseudo-bem falantes" ilusionistas e "prestidigitadores" .Como numa partida de xadrez há que reavaliar os próximos lances, dado que estes últimos não foram os mais eficazes. Mas ainda há jogo para ser jogado e a "partida" ainda não acabou. Saudações verdes ! Valério L.
ResponderExcluirEu era criança e já ouvia falar, às vezes via uma foto em um jornal ou revista - ainda em branco e preto - desse grande líder ambientalista Alfredo Sirkis. Naqueles tempo, via aquele rapaz loiro, cabeludo, meio descabelado, barulhento, encrenqueiro e esquisito como um ativista - palavra desconhecida na época-. Ele me parecia uma pessoa "viajada", meio "drogado", meio "europeu'. Hoje vemos o mundo inteiro corrigindo sua rota - não apenas pelo esgotamento do modelo adotado nos últimos 50 anos - na direção do crescimento com sustentabilidade, como ele propunha há mais de 30 anos - período que me lembro com facilidade. Ainda que o mercado ainda seja capaz de distorcer qualquer excelente ideia e transformá-la em um novo e lucrativo negócio, independente do resultado ambiental. Sobre Marina Silva, particularmente não a vejo como líder de ninguém, nem de coisa alguma. Ela não tem o sangue nas veias necessário para ser líder, como Sirkis. Vejo-a como uma vitrine, representante, uma espécie de cavalo de batalha, quase um fantoche, com visibilidade, de uma excelente ideia, mas frágil politica e ideologicamente, como se extrai da declaração do Sirkis. Certamente é um dos instrumentos que o sistema cria para ludibriar os incautos, com o objetivo precípuo de manter o status quo. Conhecemos dezenas de personagens assim na política brasileira. Como exemplo, cito a proposta divulgada hoje de que a Globo fez chegar ao dono da Natura a ideia de criação da chapa Aécio-Marina para as eleições de 2014. Uma montagem absurda, se considerarmos a total incompatibilidade entre os dois planos de governo (PSDB e Rede), pois tal proposta tem apenas a finalidade de promover Aécio Neves, não a Rede de Sustentabilidade, que entraria apenas com os votos. Alfredo Sirkis eu reconheço como líder e, hoje, mais que nunca, me sinto moralmente comprometido com seu discurso histórico, e duvido que seja capaz de atirar no esgoto industrial toda a sua história em troca dessa suposta "oportunidade". Sucesso e reconhecimento popular, Sirkis, pois você merece. De quem também sofre do mal de "sincericídio". De certa forma, por culpa sua, Syk4Ryo.
ResponderExcluirQue feio, Sirkis! Está parecendo um tatu que saiu do buraco e não sabe qual buraco farejar! E olha que tenho sido sua eleitora!
ResponderExcluirMas é exatamente por isto que vc sempre teve o meu voto.
ResponderExcluirVAMOS SER SINCEROS AQUI, QUEM IMPEDIU MARINA NÃO FOI O PT........ MAS O PT SABIA QUE A EXTREMA DIREITA IA DETONAR A MARINA NA JUSTIÇA........... PORQUE ELES QUEREM APENAS USAR A MARINA.... E ELA COMO PRESIDENTA PODE NÃO QUERER FAZER O JOGO SUJO DELES..............
ResponderExcluirDeputado, tive acesso a seu artigo através do Blog do Reinaldo Azevedo. Confesso que me surpreendi tremendamente com sua capacidade de articulação, sua visão dinâmica de um processo e principalmente sua clarividência que não vão permitir que perca o valor que construiu como parlamentar no país. Meus parabéns por seu artigo. Julio
ResponderExcluirLi seu livro os "Carbonários", faz tempo. De lá para cá, muita coisa mudou, creio eu para pior. A Rede Sustentabilidade, pelas suas próprias palavras de "extrema diversidade ideológica faz dela um difícil partido para um dia governar", coincide com o "aforisma" da Sra. Marina Silva, de que a "verdade não está em nós e sim entre nós". A busca da "verdade" pela Rede, lembra-me o "mito" do Diógenes de Sinope, da Grécia Antiga, que tornou-se um mendigo que habitava as ruas de Atenas, fazendo da pobreza extrema uma virtude; diz-se que teria vivido num grande barril, no lugar de uma casa, e perambulava pelas ruas carregando uma lamparina, durante o dia, alegando estar procurando por um homem honesto. Obviamente estabeleci uma certa proximidade "ontológica" entre honestidade e verdade. Ora, nós sabemos que a "Rede" é uma fraude, portanto a candidatura da Sra. Marina, também. Alguém já disse que a "história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. O Sr. Alfredo Sirkis sabe muito bem de quem estou falando. Sem dúvida que esta "história" da Rede e da candidatura da Sra. Marina se inscreve tragicamente neste contexto.
ResponderExcluirCaro Sirkys. Façam-se minhas suas palavras. Até final do ano passado insistia com meus amigos ligados ao Inner Circle da Marina que eles estavam atrasados na criação de uma partido. Aí, vinham repetindo as teses de Marina, de que talvez não valesse à pena entrar de volta na política partidárias...
ResponderExcluirQuando se deram conta, já era janeiro de 2013 e as eleições estavam ditando todas as articulações.
Aí, quiseram em sete ou oito meses reunir todas as 490 mil assinaturas necessárias. Deu no que deu. Não faltou aviso. Espero que Marina calce as sandálias da humildade e aceite ter um "Plano B" em outro partido. Seja PPS, PEN etc. A participação dela é importante no quadro presidencial. Se ela passar a ouvir mais e aceitar críticas, terá grandes chances.
Abs, Carlos Penna Brescianini
O que estaria levando o sr. Sirkis a ser tão contundente com a Marina?
ResponderExcluirSirkis, sua análise é lúcida e corente. Parabéns!
ResponderExcluirSobre o assunto, mais cedo, por volta das 19:30 horas, "postei" outro comentário tecendo algumas considerações acerca da Rede Sustentabilidade. Quando isto aconteceu, fui avisado de que ele estava sendo "avaliado" neste "Blog". Ainda é cedo para saber se o meu "comentário" será publicado e assim sendo suscitará alguma discussão. Mas cá com meus botões, pode ser que o meu "escrito" passe em "brancas nuvens", seguindo o exemplo dos "Jornalões" e "Revistonas" que "falam" somente para seu "público". Contudo, dou o benefício da dúvida e vou esperar. Faço isto, em repeito aos incautos que se filiaram à Rede Sustentabilidade e de boa fé acreditam no seu "ideário", apesar de que muitos também são alienados, reacionários e dos oportunista de sempre.
ResponderExcluirEu já não votava Marina por outras razões. Obrigado por seus insights, agora tenho mais razões.
ResponderExcluirÉ preciso acreditar amigo. Não se desiste no primeiro temporal. A viagem continua. Acredite.
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